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Quando levar meu filho adolescente ao psicólogo

Por Roberto Augusto · 6 de abril de 2026

A adolescência é um período de transformação intensa. O corpo muda, as relações se reorganizam, a identidade está em construção. É natural que esse processo venha acompanhado de conflitos, inseguranças e momentos difíceis. Mas como saber quando o sofrimento do adolescente precisa de atenção profissional?

Sinais de que o adolescente pode precisar de terapia

Alguns comportamentos merecem atenção dos pais e responsáveis:

  • Isolamento social: o adolescente se afasta dos amigos, da família e das atividades que antes gostava
  • Mudanças bruscas de humor: irritabilidade intensa, tristeza persistente ou apatia
  • Queda no rendimento escolar: dificuldade de concentração, falta de motivação ou recusa em ir à escola
  • Alterações no sono e alimentação: insônia, excesso de sono, perda ou ganho de peso significativo
  • Automutilação ou falas sobre morte: qualquer sinal nesse sentido deve ser levado a sério e acolhido sem julgamento
  • Uso de substâncias: álcool, drogas ou outros comportamentos de risco

Nenhum desses sinais isoladamente significa que o adolescente precisa de terapia. Mas quando vários se acumulam ou persistem por semanas, buscar orientação profissional é um ato de cuidado.

Como funciona a terapia para adolescentes

O atendimento psicológico para adolescentes tem algumas particularidades:

Contato inicial com os pais

O processo geralmente começa com uma conversa entre o psicólogo e os pais ou responsáveis. Nessa conversa, os pais podem relatar o que observam e o que os preocupa. O psicólogo explica como o atendimento funciona e esclarece questões sobre sigilo e frequência.

Sessões individuais com o adolescente

O atendimento é individual e confidencial. O adolescente tem direito ao sigilo profissional — o que ele fala em sessão não será compartilhado com os pais, salvo situações de risco previstas no Código de Ética.

Esse sigilo é fundamental para que o adolescente se sinta seguro para falar abertamente. Sem ele, o processo terapêutico perde eficácia.

Orientação parental quando necessário

Em alguns momentos, o psicólogo pode sugerir sessões de orientação com os pais. Essas sessões não revelam o conteúdo das sessões do adolescente, mas oferecem ferramentas para que os pais compreendam melhor o momento do filho e saibam como ajudar.

O adolescente precisa querer ir

O ideal é que o adolescente esteja aberto ao processo. Forçar uma criança ou jovem a ir ao psicólogo contra a vontade dificilmente produz bons resultados. No entanto, muitos adolescentes que inicialmente resistem acabam se abrindo depois de algumas sessões.

Uma abordagem possível é conversar com o adolescente de forma honesta: "Percebo que você tem passado por um momento difícil. Gostaria de te oferecer um espaço onde você pode ser ouvido, sem julgamento. Quer experimentar?"

Terapia online para adolescentes

O atendimento online é uma opção viável e regulamentada pelo Conselho Federal de Psicologia (Resolução CFP 11/2018). Para muitos adolescentes, o formato online pode ser mais confortável por acontecer em um ambiente familiar.

Perguntas frequentes sobre terapia para adolescentes

Como convencer meu filho a ir ao psicólogo? Evite apresentar a terapia como castigo ou consequência de mau comportamento. Apresente como um espaço de escuta e apoio. Oferecer a possibilidade de experimentar uma primeira sessão sem compromisso costuma funcionar.

O psicólogo conta para os pais o que o adolescente fala? Não. O sigilo profissional protege o adolescente. O psicólogo só rompe o sigilo em situações de risco iminente à vida, conforme prevê o Código de Ética do Psicólogo. Orientações gerais podem ser compartilhadas em sessões de orientação parental, sem revelar detalhes.

A partir de que idade o adolescente pode fazer terapia? Não há idade mínima. O atendimento é adaptado à faixa etária do paciente. Adolescentes a partir de 12 anos costumam se beneficiar muito de um espaço individual de escuta.


Se você é pai ou mãe e percebe que seu filho está passando por um momento difícil, buscar orientação é um ato de amor. O primeiro passo é uma conversa.

Psicólogo & Psicanalista — CRP 12/09648

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